Será que vamos voltar ao antigamente?
Na apanha de berbigão.
Quando eu era criança, era uma alegria quando havia, lá em casa, marisco (entenda-se berbigão ou caranguejo), era sempre dia de festa para nós crianças, eu e a minha irmã. Os berbigões vinham para o prato já contados pois tinha que dar para todos e quanto aos caranguejos a parte que me pertencia eram as pernas, ou melhor, as perninhas (fiquei com a ideia de que os caranguejos, naquela época eram todos anões), os adultos comiam o resto. E quando a minha mãe fazia arroz de conquilhas...Uauu! Era o máximo! Eu costumava comer primeiro o arroz, deixava as conquilhas para o fim e depois comi-as à mão lambendo os dedos com alguns bagos de arroz à mistura. Ah!...mas era tão bom! Muito melhor que o feijão com arroz, o grão com massa, o peixe cozido, frito, grelhado, ou assado como nós dizíamos, com o fogareiro aceso na rua, à porta de casa. Na minha casa não se usava esta versão pois ninguém precisava de ver qual era o menú do dia.
Adorava ver os vizinhos na rua com os fogareiros e as sardinhas, equipados com cadeiras, as mesas não eram necessárias porque a sardinha saía do fogareiro directamente para cima do pão, e abancavam à porta de casa. Como os passeios eram pequenos, o festim chegava até ao meio da rua. Naquele tempo, numa cidade pequena de província, eram poucos os carros que circulavam e, nas ruas estreitas das zonas menos ilustres, ninguém tinha automóvel. Podiam, portanto, estar à vontade.
Mas, às vezes, acontecia. Um carro aparecia ao virar da esquina e estava o carnaval armado e era ver aquela gente, cada um agarrado à sua cadeira e à sua sardinha, a ter que sair do meio da rua mais o fogareiro. Depois de passar o intruso voltava tudo à posição inicial pois, a hipótese de passar outro automóvel, era remota.
Naquele tempo eu não sabia o que eram perceves, sapateiras, santolas (os camarões apareciam sempre nos casamentos), lagostas ou lavagantes...enfim, o marisco dos pobres era o berbigão, conquilha e caranguejo. Hoje em dia, com a crise e porque passaram a ser mais apreciados e por isso mais caros, já se torna difícil chegar a estes também.
Será que vamos voltar aos tempos de antigamente?
Parabéns pelo texto ! Voltar ao antigamente não digo , mas todos temos que estender a perna á medida do lençol ...que nos tempos que correm cada vez é mais curto ! Continua ...gostei muito Maria Luís !
ResponderEliminarObrigada pelo comentário, Mª Anjos!
ResponderEliminarVamos lá, então, estender a perna à medida do lençol...mas aviso já que o lençol não é muito grande!!!
Já estivemos mais longe, não te esqueças que para ires apanhar uns berbigões, para comer, tens que ter licença de mariscador.
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