quinta-feira, 17 de maio de 2012

Igual para todos?

Ela chegou ao hospital já em cima da hora da consulta.O parque de estacionamento estava cheio, olhou para todos os cantos, escuros, recuados ou apertados mas não havia um lugar livre, deu duas voltas à pista para se certificar que tinha visto bem e nada.Não gostava de chegar atrasada em situação nenhuma, nem para trabalhar, nem para se divertir e muito menos neste caso, uma questão de saúde.
Acabou por abandonar o parque e foi estacionar o carro fora da zona do hospital, numa rua mais acima.
Enquanto corria, apressada, em direcção à entrada ia pensando que, com todo aquele movimento de carros, o hospital devia estar cheio de gente, resultado deste calor que chegou de uma maneira súbita e que apanhou as pessoas desprevenidas nas suas defesas físicas originando gripes, constipações, alergias...
Dirigiu-se ao balcão e falou com uma das meninas. Nome do médico, hora da consulta, confirmação através do computador e depois aguardar que a chamem. Sentou-se ao mesmo tempo que passava os olhos pela sala de espera, sim, estava cheia de gente.
O ambiente era cuidado, sofás confortáveis, televisão ligada quase sem som, ar fresco e plantas por todo o lado. As funcionárias eram simpáticas, médicos, enfermeiros e outro pessoal que por ali circulavam na sua passagem para os gabinetes, imaculadamente vestidos e apresentados, iam deixando sorrisos pelo caminho. Os pacientes e acompanhantes esperavam calmamente pela sua vez de serem atendidos, em silêncio ou conversando, uns em voz baixa e outros mais alta, mas não se ouvia uma reclamação, nem um tom de voz mais áspera.
Não esteve cinco minutos sentada até ser chamada para a consulta que era de preparação para uma cirurgia (de rotina para o médico, mas importante para ela) e, em menos de uma hora, fez análises, electrocardiograma, RX ao tórax...e recebeu uma folha com todas as indicações necessárias sobre o que tinha que fazer e levar para o hospital. "Já está, agora a senhora vai receber em sua casa a informação sobre a data da operação." Disse-lhe a simpática funcionária.

Atravessou a ampla e requintada sala de espera, sentindo-se satisfeita pela forma como foi atendida e tratada por todos. Era um hospital particular, sem dúvida.
Este seria o serviço hospitalar que todos os portugueses mereciam, eficaz, eficiente, sem esperas e com bons profissionais. Infelizmente não está ao alcance de todas as bolsas e nem sequer da dela que, embora com um curso superior, trabalha a recibos verdes e é mal paga. Chegou ali com alguma ajuda e por um golpe de sorte do destino, ou do que lhe queiram chamar.
Deitou um último olhar sobre toda aquela gente na sala, a maioria estrangeiros de Leste...e saiu, entregue aos seus pensamentos.



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