terça-feira, 29 de julho de 2014







Fim de tarde de Verão, sentada na varanda ela observava tudo na dormência do cair da tarde. Não fixava o olhar em nada, os olhos semicerrados apenas vagueavam sem saber ao certo no que se fixar. Não havia nada de novo que valesse a pena demorar o olhar. Tudo igual, tudo calmo.
As gaivotas faziam grandes razias à varanda ou, então, ficavam planando sem movimentos de asas. Sempre lhes achou graça e até as invejava, senhoras do ar e do mar, que é como quem diz, não precisavam de ter medo de andar de avião ou de barco.
Desviou o olhar para o casario. As janelas mais altas ainda reflectiam a luz alaranjada do pôr-do-sol. Algumas pessoas também estavam, como ela, sentadas nas suas varandas, umas em amena cavaqueira e outras com a mesa posta para o jantar. Hoje jantam fora, pensou, a noite vai estar agradável e sem vento.
Na rua via gente a correr e a caminhar envergando fatos de treino. É uma boa hora para exercício físico, o calor já não aperta.
Olhando para a sua direita, vislumbrou, ao longe, numa nesga de rio um barco navegando, calmamente, deixando um pequeno rasto à sua passagem. À sua frente, ainda mais longe, a serra recorta-se em tom cinzento, contrastando com o rosa da cor do céu do fim do dia. 
Entretanto as gaivotas já rasgam o espaço em grupos barulhentos procurando o seu refúgio nocturno.
Tudo igual, tudo calmo neste fim de tarde que já é fim do dia e princípio de noite.

Eugénia Sena
 


29 de Julho 2014


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