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A primeira fase de uma relação passa sempre pela paixão.
Estar-se apaixonado é pura adrenalina. Olhares que se cruzam, bocas que se desejam , carícias que arrepiam e excitam, corpos que se procuram e abandonam. O nosso estado de ânimo varia entre a alegria extrema e a tristeza profunda, dependendo se estamos junto da outra pessoa ou não. É a fase da loucura total, em que cometemos actos impensáveis e nos tornamos audazes. Pode vir o maior terramoto, o maior dilúvio, pode cair a mãe de todas as bombas, o mundo pode acabar lá fora. Nada importa, a não ser aquela pessoa ali ao nosso lado. Eu morreria sem ti! (mentira, não morria nada.) ... É bom estar-se apaixonado.
A seguir vem o amor.
É tempo de crescer, de aprender, de ir à luta e desbravar caminhos, percorrendo-os sempre juntos.
Nem sempre é fácil. Personalidades que se chocam, teimosias, falta de compreensão de parte a parte, discussões, ciúmes, muitas vezes provocados pela insegurança (espelho, espelho meu, haverá alguma mais bela do que eu?). São tempos tempestuosos... mas as pazes fazem-se entre as quatro paredes do quarto.
Aos poucos aprende-se a conhecer o nosso companheiro de viagem. Limam-se arestas, acertam-se ponteiros, fazem-se cedências, adaptam-se os feitios. E olhando na mesma direcção, rumo ao futuro, o amor dá frutos e torna-se adulto.
Depois vem o amor companheiro.
Instala-se na meia idade, quase sempre após a saída dos filhos de casa dos pais. Depois de anos a navegar com piloto automático, os dois encontram-se novamente frente a frente e ficam confusos, a muleta que os amparava foi retirada.
Muitos casais divorciam-se nesta altura pois reparam que já não têm nada para dizer um ao outro e nada que os ligue. Outros, pelo contrário, redescobrem-se. Ficam com mais tempo para se dedicarem um ao outro e voltam a sentir-se jovens, namoram, passeiam, fazem planos. Ao amor, junta-se o companheirismo. Tornam-se obsessivos com o bem-estar e a saúde do companheiro.
Os corpos, mais gastos, ainda se procuram...e à noite, na cama, dormem de "cadeirinha".
Por fim, o amor até que a morte nos separe.
Na velhice o casal vive em função um do outro, com um amor quase fraternal, um bem querer sem medida. Por vezes tornam-se refilões, a idade não perdoa, mas a verdade é que ela não vive sem ele e ele não vive sem ela. Eu morreria sem ti! (verdade, morria mesmo) ... É uma realidade! Quando um falta, a vida deixa de fazer sentido para o outro.

